Malinha nasceu no Distrito Federal, em 2004, entre o concreto dos prédios e a poeira das ruas que o poste nem sempre ilumina. Suas raízes se estabeleceram na 603 norte, na jovem RA de Samambaia.

Para ela, a câmera não é apenas um equipamento, é quase uma extensão mecânica de si mesma, uma maneira de traduzir a realidade que ela enxerga a partir de sua visão de mundo.
Malinha
Aos 21 anos, a multiartista habita fronteiras da imagem: fotógrafa, editora, estudante, idealizadora de projetos de cultura.
Sua relação com a imagem começou cedo: aos quatro anos, ela brincava com uma câmera estragada que seu pai quase jogou fora. Sem filme e com a lente travada, Malinha registrava o mundo com a memória, abrindo o obturador com os dedos e educando o olhar pelo visor quebrado. Mais tarde, descobriu que a brincadeira era, na verdade, uma herança: sua mãe, que não teve fotos da própria infância no interior de Alagoas, comprou uma câmera e passou a registrar o seu cotidiano: a cidade, a rua, as manifestações, as gestações, enfim, cada instante com um afeto que a técnica não ensina.
Hoje, colocando essa herança materna em movimento, Malinha conhece os desafios de ocupar esses espaços. Resistindo em uma cena ainda hostil para as mulheres, em um meio que insiste em conjugar a autoria no masculino, Malinha reafirma sua identidade a cada clique. Capturando a realidade com um olhar singular e revolucionário, ocupando espaços onde muitos não acreditam que uma mulher possa estar — na rua, atrás das lentes, na batalha de rima.
Para Malinha, a arte é um refúgio. Nos coletivos de mulheres artistas ela encontrou um espaço seguro para desenvolver toda sua potencialidade. Ao revelar as nuances da periferia em seu trabalho, ela não apenas registra o que vê, mas inventa caminhos para que outras meninas negras como ela não sejam relegadas às sombras da invisibilidade.
Malinha não quer apenas ver e fazer ver o mundo. Ela quer mais equidade, mais liberdade, mais meninas e mulheres negras ocupando orgulhosamente seus espaços, testemunhando que o feminino não é apenas um substantivo, mas estar em constante movimento.
SEUS PRIMEIROS FOTOGRAMAS
OLHAR QUE ABRE CAMINHOS














O olhar é a peça central: uma ferramenta de fazer artístico e, simultaneamente, de afirmação de si.
MALINHA POR WALÉRIA GREGÓRIO
As fotografias pretendem jogar com clichês, transformando ângulos de “submissão” e figurino “masculino” em demonstrações de poder, capturando o descontentamento e uma atitude firme diante da escolha de ocupar esses lugares.
Elementos como a TV de tubo e a câmera contextualizam o audiovisual, enquanto a imagem distorcida na tela remete aos ruídos e hostilidades enfrentados no meio artístico.



